O ENCARGO DOS ELEITOS

O encargo dado aos eleitos. Mas esses eleitos precisam ainda ouvir o Evangelho. Paulo era um caçador dos eleitos. Eles, embora eleitos, precisavam saber que eram eleitos. Eles precisavam encontrar com glória a salvação. Eles precisavam decidir por Cristo (isto em meio ao grande paganismo de então, não na facilidade da fé do Evangelho já pré-conhecido, como hoje, no Ocidente). Esta mesma dificuldade ainda opera na maioria dos países do Oriente e da Ásia. Paulo suportava aquele sofrimento por causa dos eleitos que ainda iria encontrar, tal como Onesíforo! Pois ele esteve naquela condição de eleito e ainda não salvo (At 9:15)

Crer por meio da graça. A ideia que se tem logo que se lê o texto é que somente podemos crer se a graça nos seduzir e nos fizer crer como que por um poder irresistível. Mas não é verdade. Cremos por meio da graça, isto é, porque Deus amou primeiro, nos escolheu nas piores de suas obras, a si mesmo se revelou antes que o buscássemos, nos escolheu como ramos infrutíferos no jambuzeiro bravo, porque em lugar dos convidados dignos mandou nos buscar para a sua festa no Reino. Ainda que o contexto trata de um evento na casa de Áqüila, o doutor alexandrino aprendeu aos pés do casal, como Paulo esteve aos pés de Ananias! Ele ouvira falar que os irmãos de Corinto estavam experimentando um grande derramamento do Espírito Santo. E para lá desejou ir, pois a madeira e o fogo se atraíam. Com carta de apresentação, como é usual no meio dos santos, ele chegou. Sob certa influência platônica, suas mensagens foram bem recebidas pelos irmãos de Corinto, especialmente por causa de sua oratória superior à de Paulo (At 18:27): “E, querendo ele atravessar a Acaia, os irmãos o alentaram, e escreveram aos discípulos para que o acolhessem; o qual, tendo chegado, auxiliou muito aqueles que criam, por meio da graça” (At 18:12,18). Fora do contexto, arbitrariamente, tomam esta partícula “auxiliou muito aqueles que criam, por meio da graça”, para estabelecer a doutrina de que ninguém pode crer senão por uma graça irresistível. Mas sempre houve graça, a graça sempre foi a base da obra de Deus, desde a criação. Houve um tempo no qual Deus revelou a graça que sempre esteve oculta nos fundamentos do propósito de Deus. Mesmo na Dispensação do Mistério, houve graça. Até que Deus permitiu que a graça aflorara como uma Dispensação revelada. Entendendo isso, sabemos onde Paulo estava localizado quando disse esta frase “aqueles que criam, por meio da graça”, isto é na Dispensação da Graça (Ef 3:2,9.

A concessão do pode de crer com firmeza em Cristo. Aqueles que creem na capacitação sobrenatural dada por Deus para que o homem creia em Cristo citam este verso como prova. Mas o texto não diz que Deus nos concede o poder para crer, mas sim que Deus nos concede o poder para crer com firmeza em Cristo, isto é o poder do Espírito Santo, a virtude do Espírito Santo, o batismo com o Espírito Santo, a revelação da Palavra pelo Espírito Santo logo a seguir à nossa confissão, virtude disponível a todo aquele que crê em Jesus Cristo. Mas não é somente o poder para crer com firmeza em Cristo, isto é para continuar na perseverança até o fim de nossas vidas. São duas virtudes concedidas àquele que permanece no Evangelho; a outra virtude é a graça de padecer por Ele (Fp 1:29): “Porque a vós não somente foi concedido o poder de crer com firmeza em Cristo, mas também a graça de padecer por ele” (Mt 5:12; At 14:22). O poder para crer em Cristo primeiramente vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Ef 1:13). Depois ele nos concede o poder para continuar a crer com firmeza (Fp 1:29). (Extraído da Bíblia da Eleição,