DÍZIMOS NO NOVO TESTAMENTO

“É ainda mais evidente quando surge outro sacerdote, à semelhança de Melquisedeque, que chegou a ser instituído segundo o poder de uma vida indestrutível e não segundo um requisito legal de linhagem carnal” (HB 7).
Uma pessoa postou uma mensagem que logo foi compartilhada pelos que ainda duvidam de uma atitude de fé, de justiça e de esperança: o dízimo (Mt 23:23). A base que ela apresentou, segundo ela, foi que o dízimo é uma ordem dada aos levitas e aos filhos de Jacó. Como não o somos, logo estamos livres desse peso.


Na verdade, o dízimo é anterior à Criação, é presente desde a Criação, Abel, Abraão e Jacó (antes da Lei de Moisés) já o praticavam. Levi e Jacó ainda não tinham nascido. Foi estabelecido para a Nação de Israel. Será um mandamento para todas as nações durante o Governo de Cristo na Terra (Is 60-63). As nações que não quiserem obedecer tal mandamento serão trazidas com vara de ferro pelos santos (Sl 149) à Jerusalém. Quando ao levirato que viveu apenas uma fase desta doutrina, a Igreja é constituída segundo a ordem de Cristo, que não é levita, e sim segundo a ordem de Melquisedeque, que era gentil, cananeu e para confundir os sábios e entendidos foi uma ordem escolhida por Cristo pra estabelecer o seu sacerdócio UNIVERSAL. Assim, segundo esta ordem, a Igreja foi estabelecida.
(1) O dízimo foi uma instituição de Deus antes da lei. Desde a árvore do conhecimento do bem e do mal Deus já estava assinalando que aquilo que é dele não se toca; Melquisedeque e Abraão são patriarcas e sacerdotes antes da Lei (Gn 2:16,17; 14:17-24; Hb 7:9).


(2) Os dízimos que as tribos deviam dar aos levitas eram a reunião do pagamento das tribos ao Tabernáculo, porque os levitas não eram para estar na execução do sacerdócio se os primogênitos não tivessem recusado operar no lugar que lhes estava destinado, o Tabernáculo (Nm 3:38-51). Como cada família tinha o seu primogênito livre e atuante na vida natural, os levitas deveriam ser compensados por terem deixado a sua vida normal para atuarem no lugar de outros. O povo tinha consciência disso e levava seu pagamento para sustentar os levitas que operavam em lugar dos primogênitos.
(3) Os dízimos entregues de três em três anos eram os dízimos empresariais, que eram diferentes dos dízimos pessoais (Nm 18:28; Dt 14:28). E também somente esses dízimos trienais poderiam ser distribuídos pelo sacerdote às viúvas, órfãos e estrangeiros. Mas não poderiam ser distribuídos aleatoriamente, tinham que ser entregues nas cidades de arrabalde ou nas cidades de refúgio que estavam mais próximas, onde havia representantes do Santuário Central que eram os levitas ou sacerdotes. Os dízimos pessoais e as primícias da colheita deveriam ser entregues depois de toda colheita, em todos os anos.


(4) As viúvas, os órfãos e os estrangeiros somente poderiam participar dos dízimos quando administrados pelas mãos sacerdotais, mesmo assim, eram dízimos trienais. Esses dízimos geravam valores espirituais retroativos (Dt 14:24-28; Hb 7:9).
(5) Quem disse que somente os sacerdotes estavam sendo repreendidos em Malaquias três? No cap. 3:4-7, o Senhor, nosso Deus, está falando a todos os filhos de Jacó (v. 6), onde ele diz por qual razão eles não estavam sendo consumidos. Os versos 8 e 9 não podem ser isolados de todo o contexto, pois Deus fala mais da infidelidade da tribo de Judá (v. 4) e não da tribo de Levi.
(6) Quanto aos devoradores que na época eram gafanhotos, e podem ser leões em 2 Reis, vespas como em Números, pragas como em 1 Samuel, ferrugem como em Ageu, morte como nos dias de Ananias e Safira, e demônios que atuam sob a liderança de Mamon, o deus das riquezas anátemas. Os demônios ou até mesmo os anjos podem se tornar agentes e mensageiros de males e de morte quando autorizados por Deus por causa da impiedade e iniquidade de um povo (Jó 20:27; Sl 50:4), salvando sempre aqueles que trazem as marcas de Deus.


(7) Abrir as janelas do céu é uma hipérbole sempre comum na Palavra de Deus para mostrar não somente as chuvas serôdias como a temporã, bem como para mostrar o poder de Deus sobre os depósitos sobrenaturais que estão sob a sua disposição, como as comportas dos céus que ele abriu para inundar o mundo no Dilúvio (Dt 28:12; Gn 7:11).
Dízimos no Novo Testamento:
(1) Sabemos que o dízimo é anterior à criação (Jo 3:16; 1 Pe 1:20) e o próprio Jesus recomendou-nos continuar oferecendo o dízimo sem sermos hipócritas: Mt 23:23: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dizimais da hortelã, das ervas aromáticas e do cominho, e omitis o que há de mais importante na Lei: A justiça, a misericórdia e a fé; isto é necessário fazer, sem deixar de fazer aquelas.”
(2) Devemos considerar o mais importante da Lei: juízo, misericórdia e fé: Mt 23:23: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dizimais da hortelã, das ervas aromáticas e do cominho, e omitis o que há de mais importante na Lei: A justiça, a misericórdia e a fé; isto é necessário fazer, sem deixar de fazer aquelas.”
(3) Não devemos deixar de dizimar e ofertar: Lc 11:42: “Mas ai de vós, fariseus! Porque dizimais a hortelã, e a arruda, e toda sorte de hortaliças, e passais de largo da justiça e do amor de Deus. Deveis fazer estas coisas, sem deixar de atender às outras.”


(4) Não devemos deixar de considerar o amor e o juízo de Deus: Lc 11:42: “Mas ai de vós, fariseus! Porque dizimais a hortelã, e a arruda, e toda sorte de hortaliças, e passais de largo da justiça e do amor de Deus. Deveis fazer estas coisas, sem deixar de atender às outras.”
(5) Na questão do publicano: o publicano saiu justificado de seus pecados por causa da sua humildade e humilhação pelos atos do fariseu que jejuava e ofertava sem considerar o amor, a misericórdia e o juízo de Deus. O publicano saiu justificado, mas não quer dizer que não precisava mais orar, nem jejuar, nem ofertar. Na verdade, os publicanos ofertavam muito mais que os fariseus que roubavam das viúvas. Zaqueu era um publicano e ofereceu a metade de seus bens: Lc 18:9-14: “E disse também esta parábola a alguns que muito confiavam em si mesmos, tendo-se por justos, e desprezavam os demais: Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu, e o outro era publicano. O fariseu, pondo-se em pé, orava consigo mesmo desta maneira: ‘Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, ladrões, injustos e adúlteros, e nem sequer como este publicano. Jejuo duas vezes na semana; dou a décima parte de todas as minhas entradas’. O publicano, porém, estando em pé, postou-se de longe, e não queria sequer levantar os olhos ao céu, mas dava golpes no próprio peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem misericórdia de mim,
pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa, e aquele não; porque todo aquele que se exalta, será humilhado; e todo aquele que se humilha, será exaltado.”
(6) Nosso sacerdócio não é levítico; o sacerdócio da Igreja-organismo não é levítico, mas segundo a ordem de Melquisedeque, e Melquisedeque era maior do que Abraão, o qual era maior do que Levi. O sacerdócio de Melquisedeque era um sacerdócio superior. Jesus, procedendo da tribo de Judá, tem duas vezes mais direito de ser sacerdote: Pela tribo real de Judá e pelo sacerdócio de Melquisedeque, que era rei de Salém (depois Jeru+Salem; capital de Jebus, que tornou-se Judá, portanto, este sacerdócio Cristo outorgou à Igreja ― Ap 1:4-6).

Hebreus 7:1-28 nos diz: “Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo (“El Elion”), que saiu ao encontro de Abraão, quando este voltava da matança imposta aos reis, o abençoou; a quem Abraão deu o dízimo de todos os despojos; e o seu nome significa, por interpretação, “rei de justiça”, e depois, “rei de Salém”, que quer dizer, “rei de paz”; sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece como sacerdote para sempre. Considerai quão importante era ele, aquele a quem o patriarca Abraão deu o dízimo dos despojos.

E, na verdade, os filhos de Levi que receberam o ofício do sacerdócio têm direito, segundo a Lei, de receber o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, embora eles também tenham saído dos lombos de Abraão. Mas, aquele cuja genealogia não é registrada entre eles, recebeu o dízimo de Abraão e abençoou aquele que detinha as promessas. Indiscutivelmente, e fora de toda contradição, o menor é abençoado pelo maior. Aqui, vemos que homens mortais são os que cobram dízimos, mas ali, recebe-os Aquele de quem se dá testemunho de que vive. E, por assim dizer, também Levi, que hoje recebe o dízimo, pagou o dízimo na pessoa de Abraão, pois aquele ainda estava nas entranhas do seu bisavô, quando Melquisedeque saiu para encontrá-lo.

Porque, se a perfeição tivesse de ser alcançada por meio do sacerdócio levítico, sob o qual o povo recebeu a Lei, que necessidade haveria do surgimento de outro sacerdócio, segundo a ordem de Melquisedeque, no lugar do sacerdócio segundo a ordem de Arão? Nesse caso, sabemos que quando se muda o sacerdócio, faz-se necessário a mudança da Lei.

Porque Aquele de quem se diz essas coisas pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu no altar de sacrifício; porque é notório que o nosso Senhor procedeu da tribo de Judá, acerca da qual Moisés nada disse no tocante ao sacerdócio. E isto é ainda mais evidente quando surge outro sacerdote, à semelhança de Melquisedeque, que chegou a ser instituído segundo o poder de uma vida indestrutível e não segundo um requisito legal de linhagem carnal. Pois assim Deus dá testemunho dele: ‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque’.

Assim, a abolição do mandamento sacerdotal anterior foi feita devido à sua fraqueza e inutilidade: porque a Lei nada aperfeiçoou, mas fez a introdução de uma melhor esperança, mediante a qual nos aproximamos de Deus. O primeiro sacerdócio não foi feito sem juramento. No entanto, outros se tornaram sacerdotes sem juramento, mas este já tinha um juramento, daquele que disse: ‘O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque’; por isso, Jesus se tornou a garantia de um Testamento Superior. Além disso, aqueles sacerdotes foram muitos, porque a morte impedia a cada um de continuar; mas este Sacerdote permanece eternamente, porque possui um sacerdócio intransferível. Pelo qual, ele pode salvar eternamente os que, por meio dele, se aproximam de Deus, já que vive eternamente para interceder por eles.

Porque este é o Sumo Sacerdote que nos convinha: Santo, Inocente, Imaculado, Separado dos pecadores e feito mais sublime do que os Céus, que não tem necessidade de oferecer sacrifícios todos os dias, primeiramente, pelos seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo, como os outros sacerdotes; porque isso ele fez de uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo.

Porque a Lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos a debilidades; mas a Palavra do juramento, posterior à Lei, constitui ao Filho perfeito Sacerdote para sempre.”
(g) Melquisedeque era maior que Abraão, pois o abençoou: Hebreus 7:7: “Indiscutivelmente, e fora de toda contradição, o menor é abençoado pelo maior.”


(h) Melquisedeque era do sacerdócio de Adão, de Enos, de Matusalém, de Noé, de Jetro, de Balaão (que se desviou do sacerdócio), de Jó (e nenhum era da Lei e nem era hebreu), pois eram gentios. Melquesedeque era descendente de Cam, filho de Noé, de onde vieram os cananeus, e de onde era a tribo dos jebuseus. Não tinha nem pai e nem mãe na genealogia de Sem, pois era de Cam (Hb 7:3,6). “Não tendo princípio e nem fim de dias” porque era um tipo de Cristo nesses dias. Alguns dizem que ele era um anjo, ou o próprio Cristo, mas a Bíblia não se contradiz ao dizer que o sacerdote precisa ser homem para que possa se compadecer daqueles a quem ele ministra, sendo assim um tipo de Cristo:

Hebreus 5:1,2 nos diz: “Porque todo sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído em favor dos homens, nas coisas referentes a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. E possa compadecer-se dos ignorantes e daqueles que erram, pois também ele está sujeito às fraquezas”. Hebreus 7:6 nos diz: “Mas, aquele cuja genealogia não é registrada entre eles, recebeu o dízimo de Abraão e abençoou aquele que detinha as promessas.” E, ainda, em Hebreus 7:3: “sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece como sacerdote para sempre.”